Textos

Questões Gramaticais Sul-Mato-Grossenses

Hildebrando Campestrini

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

QUESTÕES GRAMATICAIS

SUL-MATO-GROSSENSES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2003

Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul

Campo Grande – Mato Grosso do Sul

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta obra é modesta homenagem ao

Professor Licurgo de Oliveira Bastos (Cuiabá, 1904 – Campo Grande, 1990),

inesquecível professor de Língua Portuguesa na Escola Normal Joaquim Murtinho

(de Campo Grande, MS), membro da

Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, incansável defensor do vernáculo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul

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Questões Gramaticais Sul-Mato-Grossenses, texto escrito, em 2003, pelo saudoso Prof. Hildebrando Campestrini, é uma daquelas pérolas que merecem ser propagadas entre leitores e, sobretudo, ao povo sul-mato-grossense sempre na perspectiva de sanar dúvidas quanto a determinadas questões de uso corrente no campo gramatical, a princípio, tão simples, mas que merecem todo cuidado para não se cometer equívocos. Foram mantidas as formas originais do texto, a exceção de correções ortográficas segundo o último Acordo entre as nações de língua portuguesa. Além disso, no Capítulo IV (Do gentílico dos municípios) foram acrescentados aqueles municípios criados após a data da primeira publicação deste texto. ARMenecozi.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sumário

Capítulo I

Do gentílico de Mato Grosso do Sul – 5.

O autor prova que o gentílico, para Mato Grosso do Sul, é sul-mato-grossense ou mato-grossense-do-sul.

1. Da origem e formação dos gentílicos – 5.

2. Da evolução do sufixo -ensis – 6.

3. Da forma matogrossês – 7.

4. Do hífen em sul-mato-grossense – 11.

5. Do epônimo guaicuru – 11.

6. Conclusão – 12.

 

Capítulo II

Da ortografia de topônimos – 13.

O autor expõe as razões por que as formas corretas são Bataguaçu, Maracaju, Aparecida do Tabuado, Bandeirantes, Amambai (município e cidade), Guaçu, Taquaruçu, São Gabriel do Oeste, Quebro-Coco e Itaum.

1. Dispositivo legal – 13.

2. Grafia dos nomes próprios – 13.

3. A posição dos gramáticos – 14.

4. A ortografia de diversos topônimos – 15.

a) Bataguaçu – 15.

b) Maracaju – 15.

c) Aparecida do Tabuado – 15.

d) Bandeirantes – 15.

e) Amambai – 15.

f) Guaçu, Taquaruçu – 16.

g) São Gabriel do Oeste – 16.

h) Quebro-Coco – 16.

i) Itaum – 16.

5. Conclusão – 16.

 

Capítulo III

Do artigo em Mato Grosso do Sul – 17.

O autor justifica por que o nome próprio Mato Grosso do Sul se emprega sem artigo.

Conclusão – 18.

 

Capítulo IV

Do gentílico dos municípios – 19.

O autor relaciona o gentílico de cada município sul-mato-grossense.

 

 

 

Capítulo I

Do gentílico de Mato Grosso do Sul

Com a criação do Estado de Mato Grosso do Sul (em 11 de outubro de 1977), aparece, naturalmente, a necessidade de se lhe instituir um gentílico, assunto tão importante como a nossa bandeira, o nosso brasão e o nosso hino, que foram adotados oficialmente, distinguindo a nossa gente para os demais povos.

Não havendo, cria-se, como reconhece J. Matoso Câmara Jr. (Dicionário de Lingüística e Gramática, 7. ed., Vozes, Petrópolis, 1977, p. 126), quando afirma: Não há necessariamente na língua gentílicos para todos os topônimos, mas há sempre a possibilidade de criá-los, com fácil aceitação geral.

O primeiro a se manifestar a respeito foi o prof. J. Barbosa Rodrigues (citado no primeiro parágrafo), em artigo no Correio do Estado (24-25 de março de 1979), propondo e justificando o gentílico matogrossês (sem hífen), que vem empregando no citado jornal e, segundo declara no mesmo artigo, no seu livro Isto é Mato Grosso do Sul.

Ocorre que matogrossês não teve a aceitação que o criador esperava e a forma sul-mato-grossense vem tendo diferentes grafias. Mais: a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e diversos acadêmicos são, com certa frequência, consultados a respeito do adjetivo pátrio de nosso Estado.

Diante de tais fatos, a Academia nomeou uma comissão, composta pelos acadêmicos prof. Licurgo de Oliveira Bastos, padre Ângelo Jayme Venturelli, dr. José Couto Vieira Pontes e prof. Hildebrando Campestrini, para estudar e propor o gentílico para Mato Grosso do Sul.

Em reunião preliminar, no final de setembro de 1983, a comissão decidiu, por unanimidade, indicar-me para relator da matéria. A seguir, o parecer.

PARECER

1. Da origem e formação dos gentílicos.

J. Matoso Câmara Jr. (obr. cit., p. 126) explica: Os gentílicos, ou pátrios, podem ser: a) vocábulos primitivos (exs.: russo, berbere, mongol); b) vocábulos derivados, havendo para isso sufixos preferenciais como -ês ou -ense, -ão ou -ano, que são pares divergentes, popular a primeira forma e a segunda erudita, e ainda -enho ou -eno, -ino, -eu.

Que registram os gramáticos? Pesquisando o assunto, encontraram-se as informações seguintes.

a) Eduardo Carlos Pereira (Gramática Expositiva, 85. ed., Cia. Editora Nacional, São Paulo, 1952, p. 189): Sufixos designativos de naturalidade, origem, relação: -ense,-ês: amazonense, mato-grossense, espírito-santense, paraense, paranaense, maranhense, cearense, fluminense, caldense, bejense, conimbricense, bracarense, forense, hortense – português, francês, inglês, piemontês, japonês, chinês, javanês, braguês, camponês, montanhês.

b) Celso Cunha (Gramática do Português Contemporâneo, 5. ed., Belo Horizonte, Ed. Bernardo Álvarez, 1975, p. 71): -ense, -ês: relação, procedência, origem: forense, parisiense, cortês, norueguês.

c) Rocha Lima (Gramática Normativa da Língua Portuguesa, 19. ed., Rio de Janeiro, José Olympio Ed., 1978, p. 182): ENSE, ÊS (forma adjetivos de substantivos): ateniense, cearense, paraense, parisiense, vassourense, vienense; cortês, montanhês, montês, português.

d) Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguêsa, 16. ed., São Paulo, Cia. Editora Nacional, 1970, p. 218): 6) Para formar nomes de naturalidade: -ano, -ã-, -eu: pernambucano, coimbrão, hebreu, caldeu; -ense, -ês: cearense (português -enho: estremenho).

e) Na mesma esteira, sem nada acrescentar, outros gramáticos e filólogos de renome, como Gladstone Chaves de Melo (Gramática Fundamental da Língua Portuguesa, 2. ed., Rio de Janeiro, Livr. Acadêmica, 1970, p. 105) e Ismael de Lima Coutinho (Pontos de Gramática Histórica, 6. ed., Rio de Janeiro, Livr. Acadêmica, 1972, p. 171).

f) Napoleão M. de Almeida (Gramática Metódica da Língua Portuguêsa, 15. ed., Saraiva, São Paulo, 1963, p. 127 e ss.) cita inúmeros exemplos de adjetivos pátrios, sem qualquer explicação a respeito de sua origem ou formação.

g) Mais objetiva e lúcida é a informação do eminente filólogo M. Sayd Ali (Gramática Histórica da Língua Portuguêsa, 7. ed., Livraria Acadêmica, Rio de Janeiro, 1971, p. 245): ÊS, ENSE. Desempenham papel notável na formação dos nomes pátrios; -ês, redução de -ense, é a forma popular que fixou em muitos vocábulos: português (portu-galês), francês, inglês, genovês, etc.; -ense, forma primitiva, restabelece-se nas modernas creações: fluminense, bracarense, cearense, paraense, maranhense, eborense, conimbricense, vienense, etc.

 

2. Da evolução do sufixo -ensis.

Antes, porém, de qualquer comentário sobre o que está registrado na parte anterior, é conveniente explicar a evolução do sufixo -ensis. No latim, -ensis era usado para formar adjetivos que indicassem origem, procedência, como carthaginiensis, castrensis. (Ver José Nunes Figueiredo, Compêndio de Gramática Latina, 5. ed., Porto, Porto Editora, 1966, p. 153).

Este sufixo era de uso bastante popular, como afirma C. H. Grandgent (Introduccional latim vulgar, 2. ed., Madri, 1952, p. 53): -ensis: usado para formar de sustantivos adjetivos de pertenencia (como forensis), estaba en gran manera extendido, especialmente en el habla popular, empleándose a veces estos derivados como sustantivos.

É de observar-se que, neste sufixo, houve, já no latim vulgar, o enfraquecimento do n, que passou a nasalar a vogal anterior, até o desaparecimento total, pela desnasalação, no romance.

É o mesmo Grandgent (ob. cit., p. 197) que confirma: Ene(n) sis estuvieron en uso las dos formas, com n y sinella. (....) En el lenguaje popular, tal perdida fué probablemente constante desde los primeros tiempos.

Alfredo Cavaliere (Introduzione al lo studio della filologia romanza, Roma, Ed. Elia, 1972, p. 45) vai mais longe ao informar: Il grupon sperdeva, giàn el latino arcaico, la nasale. Medesimo fenomenon el latino volgare.

Mário Barreto (Novos estudos da Língua Portuguesa, 3. ed., fac-similar, Rio de Janeiro, INL-Presença, 1980, p. 50), ao justificar a grafia do sufixo -ês, comenta: Adoptada, como cumpre, a escrita comês que, em português e semelhantes adjectivos geográficos, é a boa e exacta, porque a dita terminação é a forma evolutiva do sufixo ense, que em latim tem s (o n do grupo ns já se havia perdido na pronúncia vulgar latina).

Fica claro que, na língua portuguesa, o sufixo -ês nada mais é do que o –ense (m) latino, modificado, que sofreu as seguintes alterações:

1ª – apócope do -m (que já não era pronunciado no latim vulgar);

2ª – o -n- passou a nasalar a vogal anterior e, posteriormente, desapareceu;

3ª – apócope do -e.

Resultou, assim, o sufixo -ês.

É oportuno lembrar que as palavras portuguesas de origem latina formam dois grupos.

O primeiro compreende as que, partindo do termo vulgaris, através dos romances, chegaram ao português, sofrendo, durante vários séculos, transformações fonéticas e sintáticas, entre outras; diz-se que estas palavras alcançaram o português pela via popular, processo evolutivo que foi fértil até os meados do século XVI, como esclarece Carolina Michaëlis de Vasconcelos (Lições de Filologia Portuguesa, Martins Fontes, s.d., p. 19): A língua não fica de modo algum inalterada. Bastantes dos fenômenos que a distinguem desapareceram depois de 1350, outros perduram ainda um século; vários subsistem até o séc. XVI. (...) Em geral pode, contudo, dizer-se que o português moderno começa no tempo do Renascimento, depois de alguns humanistas, – guiando-se pelos gramáticos latinos, – haverem comparado sistematicamente as formas portuguesas com as latinas, escolhendo entre as variantes da mesma palavra que eram usuais, as mais consentâneas com o génio da língua pátria.

O segundo grupo é formado pelas palavras introduzidas principalmente pelos escritores que as transportavam diretamente para o vernáculo fazendo as alterações indispensáveis, normalmente finais. Diz-se que estas palavras chegaram ao português pela via erudita. Exemplos: víride e másculo (com as paralelas verde e macho, pela via popular).

Assim, com o Classicismo, retomaram-se as raízes e afixos originais latinos e, daí por diante, as palavras novas passaram a ser formadas a partir do latim culto, procedimento que se incorporou ao sistema, à índole da língua. Por isso, deixou de ser usado o sufixo -ês (de origem popular) e passou-se a dar preferência a -ense (forma erudita).

 

3. Da forma matogrossês.

Desde a criação de Mato Grosso do Sul, tentou-se fixar, para o novo Estado, o gentílico matogrossês, “fruto de artifício lingüístico”, segundo o padre Ângelo Jayme Venturelli.

Tal forma não vingou, nem vingará, principalmente porque lhe falta amparo etimológico que a concilie com a índole do vernáculo.

O sufixo -ês, como já foi explicado, chegou à língua portuguesa pela via popular, ativa até a primeira metade do século 16. Como o gentílico de Mato Grosso e o de Mato Grosso do Sul são de formação moderna, devem ser eruditos, isto é, derivados com o sufixo –ense do vernáculo.

O sufixo -ês, como já foi explicado, chegou à língua portuguesa pela via popular, ativa até a primeira metade do século 16. Como o gentílico de Mato Grosso e o de Mato Grosso do Sul são de formação moderna, devem ser eruditos, isto é, derivados com o sufixo -ense.

É o que afirma o respeitado filólogo M. Sayd Ali, citado anteriormente: -ense, forma primitiva, restabelece-se nas modernas creações.

Se não bastasse, observe-se a lista de exemplos fornecidos pelos gramáticos elencados na parte anterior. Os derivados por meio do sufixo -ês são de formação antiga; os com o sufixo -ense são modernos, eruditos. Do último caso não escapa mato-grossense.

Adite-se, ad argumentandum, que matogrossês é forma analógica a francês, inglês et alii. Assim colocada, a analogia nada justifica; ao contrário, leva a mato-grossense – análogo às formas modernas; afinal, nenhum dos gentílicos dos Estados brasileiros, salvo engano, tem o sufixo -ês.

Um parêntese. É de justiça louvar a iniciativa (e, por que não, a pertinácia) desses que pretenderam criar e como que oficializar matogrossês (de Mato Grosso do Sul) em oposição a mato-grossense (de Mato Grosso), como ocorre em brasileiro e brasiliense, paulista e paulistano, belenense e belemita, amazonense (do Estado do Amazonas) e amazônida (da Amazônia).

Louvável, positivamente, a iniciativa; infeliz, todavia, a proposta, pois em desacordo com a índole da língua.

Acrescentem-se, gratia argumentandi, outras alegações certamente de menor valia; úteis, no entanto.

I – Uma explicação, que poderia ser chamada de telúrica, se prende ao fato de que, por ocasião do desmembramento do Estado, houve, aqui no Sul, intensas manifestações contra qualquer nome que não fosse Mato Grosso do Sul, porque os habitantes desta parte queriam continuar mato-grossenses, mato-grossenses-do-sul. Sempre mato-gros-senses. Por que, então, impingir-lhes matogrossês?

II – Desde que foi proposto matogrossês, estou sendo frequentemente consultado sobre sua validade e aceitação. Explico resumidamente o que lancei atrás. Confesso que não encontrei um consulente que aceitasse, de bom grado, matogrossês. Há uma resistência generalizada. Se possuísse encanto e sedução, após um lustro estaria circulando normalmente, integrado já ao vocabulário comum. Não é o que se observa.

Pertinente, aqui, uma digressão para explicar o porquê desta aversão.

Gladstone Chaves de Melo (Iniciação à Filologia e Lingüística Portuguesa, 5. ed., Rio de Janeiro, Livr. Acadêmica, 1975, p. 218) observa:

Toda língua tem aquilo que Bally chamou de virtualidades, isto é, riquezas imanifestas, desdobramentos implícitos, recursos latentes, que irão vindo à luz à medida das urgentes solicitações ou sob o império de variadas contingências, muitas vezes a mesma pobreza vocabular do sujeito-falante. Quem possui o sistema de determinada língua formará, com a maior facilidade, palavras que a rigor não são novas, porque já existiam potencialmente no idioma. Tanto que o sujeito-ouvinte as receberá sem surpresa, sem estranheza, sem reserva ou dúvida. Isto porque o sistema não foi rompido.

Entenda-se por sistema a tendência da língua, sua estrutura, seu pudor em aceitar ou repulsar formas que estão de acordo, ou não, com este sistema, como que inato, congênito, no falante. É o que se constata quando o consulente estranha (e não aceita) matogrossês, mesmo sem saber explicar por quê.

III – Os paladinos de matogrossês argumentam que sul-III – Os paladinos de matogrossês argumentam que sul-mato-grossense não pode designar o natural de Mato Grosso do Sul; indica, sim, o nascido no Sul de Mato Grosso.

Aparentemente, com razão. Há exemplos (v. Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, verbetes) como sul-europeu (do Sul da Europa), sul-asiático (do Sul da Ásia), sul-americano (do Sul da América). São exemplos raros, suspeitos, pois sul-europeu não dá a ideia de natural do Sul da Europa, mas sim de natural da Europa do Sul. Assim nos demais exemplos. Sul-africano é o natural do Sul da África ou do país África do Sul? Qual a carga semântica que prevalece?

É conveniente, nesta passagem, atentar para a índole da língua na formação dos gentílicos derivados de nomes em que aparece norte ou sul. Há duas situações distintas:

 1ª – quando o nome próprio é formado por duas palavras unidas por preposição. Neste caso:

a) ou se deriva o último elemento, suprimindo-se a preposição, como em rio-sulense (de Rio do Sul, SC). Este recurso não é comum e deve ser evitado;

b) ou se deriva o primeiro elemento, suprimindo-se a preposição e colocando-se norte (ou sul) antes do derivado: sul-vietnamita (do Vietnã do Sul). Este recurso normalmente não se aplica a nomes de municípios;

c) ou simplesmente se deriva o primeiro elemento, desprezando-se do norte ou do sul: francisquense (de São Francisco do Sul), jaraguaense (Jaraguá do Sul), caçapavano (de Caçapava do Sul). Este recurso é predominante;

2ª – quando o nome próprio é formado por três palavras e preposição. Neste caso:

a) acrescenta-se o sufixo (-ense) à palavra anterior à preposição, mantendo-se inalteradas as demais, ligadas agora por hífen. Exemplo: Rio Grande do Sul – rio-grandense-do-sul; Mato Grosso do Sul – mato-grossense-do-sul;

b) ou acrescenta-se o sufixo (-ense) à palavra anterior à b) ou acrescenta-se o sufixo (-ense) à palavra anterior à preposição, mantendo-se inalteradas as demais, colocando-se norte (ou sul) no início, desprezando-se a preposição e empregando-se o hífen entre todos os elementos. Exemplo: Rio Grande do Norte – norte-rio-grandense; Mato Grosso do Sul ­– sul-mato-grossense. Esta forma é mais usada.

Registrem-se, a título de curiosidade, as excrescências são-bento-nortense (de São Bento do Norte, RN) e santa-fé-sulense (de Santa Fé do Sul, SP). (V. Aurélio, obr. cit.).

Conclusão: péssima a forma matogrossulense; em desacordo com o gênio da língua, inaceitável, matogrossês.

Para certificar-se dos exemplos expostos nos casos acima, é bastante consultar qualquer dicionário. Aconselha-se o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Academia Brasileira de Letras, Imprensa Oficial, 1943); Idem (Bloch, 1981).

IV – A Constituição de Mato Grosso do Sul consagrou a forma sul-mato-grossense: “O povo sul-matogrossense (sic)...” (Diário Oficial de MS, 13-6-79).

V – Vale registrar a opinião de alguns escritores sul-mato-grossenses, observadores sempre atentos à solução mais conforme com o idioma pátrio.

O padre Ângelo Jayme Venturelli, filólogo, co-autor da Enciclopédia Bororo, assim se posiciona: Parece-me, pois, conveniente sugerirmos a denominação sul-mato-grossense.

O professor Licurgo de Oliveira Bastos, filólogo e gramático respeitado, conclui: Posto isto, concluiu-se pela impropriedade do gentílico matogrossês, para o fim de servir de qualificação ao filho de Mato Grosso do Sul.

O dr. José Couto Vieira Pontes, contista, autor da já clássica História da Literatura Sul-Mato-Grossense, considera totalmente inviável qualquer opinião favorável à forma matogrossês.

Para finalizar esta parte, é relevante apresentar os argumentos do professor, e insigne confrade, J. Barbosa Rodrigues, que não tenham sido examinados, direta ou indiretamente, nas explicações anteriores.

1° – De minha parte acredito, sinceramente, que tanto -ês como -ense não melhoram nem pioram a qualidade dos filhos da terra, mesmo porque, gramaticalmente, ambos se equivalem. (Correio do Estado, 15-16 de outubro de 1983).

Não se trata de melhorar ou piorar a qualidade dos filhos da terra. Este papel é, ou deveria ser, ao que parece, do político e do administrador, não do filólogo. O do filólogo é ser fiel à língua pátria, descobrir-lhe os meandros, as sutilezas, o sistema, a índole.

Por outra, a justificativa (porque, gramaticalmente, ambos se equivalem), que nada tem a ver com a afirmação, merece reparos, como está explicado na segunda parte deste trabalho.

2° – É preciso que se tenha presente o fato de que basta o uso constante de um designativo para que ele adquira força de lei, como está ocorrendo com o moderno economês em substituição do antigo economista. (Idem).

De acordo, quando afirma que basta o uso constante, que pode até fixar, por um curto período, uma forma avessa ao sistema linguístico. Mas matogrossês está sendo constantemente usado? Por quem? Está integrado ao vocabulário comum? Não é o que se constata, embora tenha havido tempo para isso.

O exemplo economês é esdrúxulo; economês nada mais é que gíria; não pode ser levado a sério, num questionamento elevado como este. Ainda: economês não veio substituir economista. Por que não citar, como exemplos, brasileiro e mineiro – que não foram originariamente gentílicos?

Esclareça-se que o sufixo -eiro indica principalmente ofício, ocupação.

3° – A adoção de matogrossês, simplesmente, estaria 3° – A adoção de matogrossês, simplesmente, estaria de acordo com o linguajar do povo português como brasileiro que designa o seu idioma português e não portucalense, que seria o certo, se fôssemos dar ouvidos aos ensinamentos da Gramática Histórica, hoje estudada por muito pouca gente. (Idem).

Surpreende a afirmação. Portucalense nunca foi a única forma correta; português nunca foi a errada. As gramáticas históricas esclarecem que portucalense é de formação erudita e português, de formação popular – o que nunca significou que esta última seja errônea.

Útil lembrar que estaria de acordo com o linguajar do povo português como brasileiro, isto é, de acordo com o sistema da língua, a forma mato-grossense (ou sul-mato-grossense).

4° – No passado surgiu a diferença entre paulista e paulistano, ambos adjetivos presentemente aceitos e dicionarizados, quando o certo deveria ter sido a adoção do adjetivo paulistense. (Idem).

Quem disse que o certo deveria ser paulistense?

O sufixo -ense não é o único para formar adjetivos pátrios, como se viu. Há outros, como -ano (origem erudita) e -ão (origem popular) – pares divergentes como -ense e -ês.

No momento, o que se discute é o emprego do -ês pelo -ense e não do -ano pelo -ense. O uso de -ano (cujo correspondente popular é -ão, repita-se) é outra discussão, se bem que bastante análoga a esta.

Não resta dúvida de que a forma paulistano é de origem erudita; a popular seria paulistão, como coimbrão.

A preferência entre -ense e -ano é outro assunto.

Em tempo: por que paulistense e não paulistês? Observe-se que o articulista se deixou trair pela sistema da língua, que exige -ense nos vocábulos modernos.

5° – ...aceitaria ser designado como cuiabaense ou cuiabanense, de acordo com a velha regra da Gramática Histórica, renunciando ao tradicional, histórico e significativo cuiabano? (Idem).

Incoerente a explicação. Se existisse a forma cuiabaense (ou cuiabanense), nada mais se teria feito do que aplicar a velha regra da Gramática Histórica: nos derivados modernos, emprega-se -ense e não -ês. Ou -ano e não -ão. Em cuiabano, não há nada de tradicional, histórico e significativo; há a velha regra, empregando o -ano (de origem erudita). Na derivação popular (como se quer em matogrossês) surgiria o estrambótico cuiabão.

6° – Os paulistas adotaram o paulistano; os mineiros, o montanhês; os rio-grandenses-do-sul, o gaúcho; os rio-grandenses-do-norte, o potiguar; os guanabarinos, o carioca; os catarinenses, o barriga-verde; o espírito-santense, o capixaba. Só o matogrossense do sul não pode adotar o matogrossês, que seria uma “impropriedade”? Impropriedade seria, isto sim, o mandioqueiro ou o matucho.  (Idem).

O articulista baralha os termos. Gentílico, apelido ou mero qualificativo e epônimo não podem ser confundidos. Paulistano é gentílico; gaúcho, mais apelido; barriga-verde, talvez epônimo.

Matogrossês, é certo, pretende ser gentílico; portanto, de nada vale a exemplificação acima. A impropriedade está na derivação da palavra, exaustivamente explicada.

Vai muita diferença entre guaicuru (sobre que se discorrerá adiante) e o vulgar mandioqueiro ou o ridículo matucho.

7° – Veja como é belo e gratificante estas expressões: Terra Matogrossês, gente matogrossês, mulher matogrossês. (Correio do Estado, 24-25 de março de 1979).

Simples: Tudo se simplificará com a adoção do gentílico matogrossês (idem). Tão simples, sim, que matogrossês seria forma invariável, à moda arcaica, quando as palavras terminadas em -ês eram normalmente invariáveis, como confirma o dr. José Joaquim Nunes (Crestomatia Arcaica, 7. ed., Lisboa, Livraria Clássica Ed., 1970, p. LXVI): Dos nomes em es, português, continuou invariável por muito tempo. Nem tanto, porque Camões já escrevia: A polícia portuguesa, na paz e na milícia. (Lus., 7, 72).

Simples: Tudo se simplificará com a adoção do gentílico matogrossês (idem). Tão simples, sim, que matogrossês seria forma invariável, à moda arcaica, quando as palavras terminadas em -ês eram normalmente invariáveis, como confirma o dr. José Joaquim Nunes (Crestomatia Arcaica, 7. ed., Lisboa, Livraria Clássica Ed., 1970, p. LXVI): Dos nomes em es, português, continuou invariável por muito tempo. Nem tanto, porque Camões já escrevia: A polícia portuguesa, na paz e na milícia. (Lus., 7, 72).

Confiram-se, a respeito, a citação acima e as explicações do mestre M. Sayd Ali (obr. cit., p. 77).

Vê-se, sem muito esforço, que, na angústia de se criar uma forma simples e corrente, foi sacrificada toda a evolução da língua portuguesa.

Pior. Apelou-se para a analogia que, às vezes, parte para aplicações estranhas – uma verdadeira etimologia de fantasia – na palavra arguta de Mário Barreto (obr. cit., p. 311), quando basta uma relação fortuita de homofonia para que duas palavras uma – a mais vulgarizada na língua – atraia a outra e a afeiçoe à sua imagem. (Idem. ib.).

Do extenso arrazoado, conclui-se que, para Mato Grosso do Sul, o gentílico é sul-mato-grossense, a par do menos usado mato-grossense-do-sul.

 

4. Do hífen em sul-mato-grossense.

Ouve-se, com certa frequência, que o emprego do hífen em sul-mato-grossense (ou em mato-grossense-do-sul) é subjetivo, facultativo.

A ortografia da língua portuguesa, no Brasil, é regida pelas Instruções do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicado pela Academia Brasileira de Letras, em 1943, oficializado pela Lei n. 2.623, de 21.10.55, com as modestas alterações introduzidas pela Lei n. 5.765, de 18.10.71. Logo, ortografia não se discute; cumpre-se.

A regra 45 das Instruções estabelece: Só se ligam por hífen os elementos das palavras compostas em que se mantém a noção de composição, isto é, os elementos das palavras compostas que mantêm a sua independência fonética, conservando cada um a sua própria acentuação, porém formando o conjunto perfeita unidade de sentido.

A clareza do texto dispensa comentários. Mas, aos que ainda possam duvidar da aplicação do dispositivo, recomenda-se consultar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguêsa (de 1943) e encontrarão os verbetes: norte-americano, norte-rio-grandense, mato-grossense, sul-africano, sul-rio-grandense; no mesmo Vocabulário (de 1981) encontram-se os mesmos exemplos, afastando qualquer hesitação no emprego do hífen.

Fica cristalino que empregar o hífen em mato-grossense-do-sul e em sul-mato-grossense não é favor; é dever legal. Proceder diferentemente é capricho ou pura e gratuita teimosia.

Note-se que até os defensores da forma matogrossês estão obrigados, por força de lei, a escrevê-la com hífen.

 

5. Do epônimo guaicuru.

Por derradeiro, algumas considerações sobre o epônimo guaicuru.

Arrolando gentílicos, verifica-se a existência de adjetivos que lhes são sinônimos: espírito-santense e capixaba (palavra de origem tupi = local apropriado para plantação, roça, segundo Antônio Geraldo da Cunha, Dicionário Etimológico, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1982); sul-rio-grandense e gaúcho (palavra importada do espanhol e de origem incerta); rio-grandense-do-norte e potiguar (comedor de camarão); amazonense e baré (tribo indígena).

Nada há que impeça o emprego, para o natural de Mato Grosso do Sul, do epônimo guaicuru, tirado dos Guaicurus, índios cavaleiros e criadores, soberbos, altivos, dominadores, dissimulados e astutos, na descrição de Ricardo Franco: Nada há que impeça o emprego, para o natural de Mato Grosso do Sul, do epônimo guaicuru, tirado dos Guaicurus, índios cavaleiros e criadores, soberbos, altivos, dominadores, dissimulados e astutos, na descrição de Ricardo Franco de Almeida Serra (citado por Otávio Gonçalves Gomes, em artigo no Correio do Estado, de 26-27 de março de 1977).

A eles deve-se a soberania do oeste sul-mato-grossense, em cuja defesa não conheceram esmorecimentos, deixando-nos um legado de coragem e galhardia. Confirmam a asserção o depoimento:

a) de Otávio Gonçalves Gomes, quando escreve: Não fora a amizade, destreza e destemor dos Guaicurus, o Sul do nosso Estado a esta hora estaria hablando e não falando português. (Correio do Estado, 25-26/9/1976).

b) do general Raul Silveira Melo, quando informa que aos Guaicurus deve o Brasil o Sul de Mato Grosso. (Apud Otávio G. Gomes, Correio do Estado, 26-27/3/1977).

c) do general Melo Rego, quando assevera que se o Sul de Mato Grosso (....) é hoje território brasileiro devemo-lo aos Guaicurus. (Idem).

Releve-se que qualquer epônimo deve ser consagrado pelo uso corrente dos escritores e imprensa, até incorporar-se ao vocabulário. Não ocorre isto com guaicuru, de utilização vacilante, aqui e ali, ainda sem vigor e pujança para se impor e consagrar-se.

Um dos pioneiros no uso deste epônimo tem sido o desembargador Leão Neto do Carmo, do Tribunal de Justiça deste Estado, magistrado que o utiliza esporadicamente em seus votos: Argumentou, ainda, que o aresto do Pretório guaicuru abriu dissídio jurisprudencial. (Despacho de 9 de outubro de 1979, Revista de jurisprudência do TJ-MS, n. 4, Campo Grande, Brasília, p. 280).

 

6. Conclusão.

De tudo que ficou explicado, conclui-se que:

a) o gentílico de Mato Grosso do Sul deve ser sul-mato-grossense, seguido do menos comum mato-grossense-do-sul;

b) estes gentílicos devem ser, por força de lei, escritos sempre com hífen;

c) deve ser estimulado o emprego, para Mato Grosso do Sul, do epônimo guaicuru.

 

Campo Grande, 17 de outubro de 1983.

Nota. Este parecer (aprovado por unanimidade pelo plenário da Academia) foi por ela enviado a Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, que incorporou os gentílicos a seu Dicionário (2. ed.).

Capítulo II

Da ortografia de topônimos

Têm surgido, com frequência, principalmente nos órgãos do Governo estadual, discussões sobre a ortografia do nome de algumas cidades sul-mato-grossenses: Bataguassu, Bataguassú ou Bataguaçu? Aparecida do Tabuado ou do Taboado? Bandeirante ou Bandeirantes? Sobre o assunto, as considerações seguintes.

 

1. Dispositivo legal.

A ortografia que vigora, no Brasil, é a estabelecida pelo Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguêsa (Rio, Imprensa Oficial, 1943), aprovado pela Academia Brasileira de Letras, em 12 de agosto de 1943, cujo uso oficial foi recomendado num decreto-lei, e exigido pelo Dasp nos concursos e nas repartições públicas (Gladstone Chaves de Melo, Iniciação à Filologia e à Lingüística Portuguesa, Rio, Acadêmica, 1975, p. 239) e, assim, foi sendo aceito, pelos brasileiros, até pacificamente, mesmo depois do advento da reforma ortográfica de 1945, imposta pelo Decreto-Lei n. 8.286, de 5.12.45.

A partir de 1945, a situação se tornou confusa: oficialmente vigia a reforma ortográfica de 1945, enquanto a maioria dos brasileiros seguia a de 1943. Uma década depois, a Lei n. 2.623, de 21.10.55, pôs fim às divergências, ao determinar:

Art. 1° – É restabelecido o sistema ortográfico do Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, organizado em 1943 pela Academia Brasileira de Letras. (Diário Oficial da União, 22.10.55).

Até hoje, surpreendentemente, o Vocabulário Ortográfico sofreu uma só alteração, feita através da Lei n. 5.765, de 18.12.71, que introduziu algumas mudanças na parte da acentuação gráfica.

 

2. Grafia dos nomes próprios.

No Título XI, o Vocabulário Ortográfico (Imprensa Oficial, 1943, p. XXIX) regulamenta a grafia dos nomes próprios:

39. Os nomes próprios personativos, locativos e de qualquer natureza, sendo portugueses ou aportuguesados, estão sujeitos às mesmas regras estabelecidas para os nomes comuns.

40. .......................

41. Os topônimos de origem estrangeira devem ser usados com as formas vernáculas de uso vulgar; e quando não têm formas vernáculas, transcrevem-se consoante as normas estatuídas pela Conferência de Geografia de 1926, que não contrariarem os princípios estabelecidos nestas Instruções.

42. Os topônimos de tradição histórica secular não sofrem alteração alguma na sua grafia, quando já esteja consagrada pelo consenso diuturno dos brasileiros. Sirva de exemplo o topônimo “Bahia”, que conservará esta forma quando se aplicar em referência ao Estado e à cidade que têm esse nome.

Observação. Os compostos e derivados desses topônimos obedecerão às normas gerais do vocabulário comum.

As disposições citadas são muitas claras: os topônimos devem ser escritos de acordo com as normas dos nomes comuns. Portanto, Bataguaçu e não Bataguassu; Jóquei As disposições citadas são muitas claras: os topônimos devem ser escritos de acordo com as normas dos nomes comuns. Portanto, Bataguaçu e não Bataguassu; Jóquei Clube (bairro de Campo Grande) e não Jockey Clube (como querem alguns assessores da prefeitura campo-grandense), Santo Antônio (bairro de Campo Grande) e não Santo Antonio; Lajes (SC) e não Lages.

Poder-se-á argumentar: estes topônimos, em virtude do que dispõe o item 42, anteriormente transcrito, podem ser grafados de acordo com a forma original, considerando-se assim aquela que foi empregada, por exemplo, no texto da lei que criou o município.

A resposta deve ser desenvolvida em dois itens:

1° – pela interpretação literal da norma, deve-se exigir desses topônimos, ao mesmo tempo:

a) tradição histórica secular e

b) grafia consagrada pelo consenso diuturno dos brasileiros.

Positivamente, não é o que se verifica com os topônimos sul-mato-grossenses, precipuamente no tocante à primeira exigência. Nem em Paranaíba, que foi Sant’Anna do Para-nahyba e topônimo da primeira metade do século 19.

2° – O topônimo Bahia (cidade e Estado) permaneceu com o h e sem acento, no Vocabulário Ortográfico, pela intransigência do acadêmico baiano (sem h) Afrânio Coutinho, acolitado por Pedro Calmon, que simplesmente não admitiam Bahia sem h. (V. Gladstone, ob. cit., p. 239).

Para que a proposta da reforma ortográfica pudesse prosseguir, foi necessário apelar para o jeitinho. Bahia – só Bahia – continuaria com h. E o consultor filológico da reforma (José de Sá Nunes) teve o cuidado de cercar o dispositivo de condições tais, que não abrangesse qualquer outro caso.

Este foi, e é, o espírito da norma.

Oportuno e pertinente o comentário de Napoleão Mendes de Almeida: Bahia – Grafia espúria de um estado brasileiro, ao lado do adjetivo baiano e do nome comum baía, origem do nome do estado de Rui. O h é bastardo à luz da ortografia de 43 e da de 45, e só um decreto de 1931 do estado baiano e a pessoal injunção do chefe da delegação brasileira do sistema de 45, natural desse estado, é que ainda nos impingem esta vileza gráfica; tivesse ele nascido no Piauí, estaríamos até agora sujeitos a Piauhy, em Jaú a Jahú? E não digam que a tradição é que nos obriga a esse aviltamento. Que fizeram a Christo? Aqui o h era menos tradicional que lá? (Dicionário de Questões Vernáculas, São Paulo, Caminho Suave, 1981, p. 39).

 

3. A posição dos gramáticos.

Quanto à grafia dos nomes próprios, alguns gramáticos limitam-se a reproduzir as normas do Vocabulário Ortográfico, como Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguêsa, São Paulo, CEN, 1970, p. 74), Eduardo Carlos Pereira (Gramática Expositiva, 85. ed., São Paulo, CEN, 1952, p. 62), Antenor Nascentes (O Idioma Nacional, 4. ed., Rio, Acadêmica, 1964, p. 46); outros nada comentam, como Rocha Lima (Gramática Metódica da Língua Portuguesa, 19. ed., Rio, José Olympio Ed., 1978), Napoleão Mendes de Almeida (Gramática Metódica da Língua Portuguesa, 15. ed., São Paulo, Saraiva, 1963), Celso Cunha (Gramática do Português Contemporâneo, 5. ed., Belo Horizonte, Ed. Bernardo Álvarez S.A. 1975). Celso Pedro Luft, em seu incomparável Novo Guia Ortográfico (5. ed., Porto Alegre, Globo, 1976, p. 119) também transcreve o Vocabulário Ortográfico.

Fontes de referência são os dicionários, obrigados a aplicar, na prática, a regra. No título seguinte, ver-se-á, em cada caso, a posição dos diversos dicionaristas.

 

4. A ortografia de diversos topônimos.

a) Bataguaçu.

Observe-se, de início, que o topônimo Bataguaçu não possui as duas condições fundamentais para manter a grafia original: não tem tradição histórica secular e sua grafia não está consagrada pelo uso diuturno dos brasileiros.

Todos os dicionários consultados (v. g.: Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Rio, Nova Fronteira, s.d.; Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, ABL/Bloch, 1981; Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, de Caldas Aulete, Rio, Ed. Delta, 1970) registram o verbete bataguaçuense (com ç).

Indiscutível é que o radical guaçu se grafa com ç.

Não é demais recordar que a palavra Bataguaçu não tem acento pois as oxítonas terminadas em -u (não precedido de vogal) não são acentuadas.

Cabe lembrar que Bataguaçu é formado pelos radicais Bata (sobrenome do fundador da cidade) e guaçu (de origem guarani, que significa grande). A intenção era, na verdade, criar a palavra Bataiguaçu (bata+y+guaçu = o grande rio de Bata, ou seja, o rio Paraná) – como ocorreu no topônimo Bataiporã (rio belo de Bata). (No tupi-guarani, y significa água, rio, nascente, mãe, sustento).

Por fim, registre-se que Bataguaçu não tem hífen. O Vocabulário Ortográfico (título XIV, 46, 4°) estabelece que se emprega o hífen nos vocábulos formados por sufixos que representam formas adjetivas, como açu, guaçue mirim, quando o exige a pronúncia e quando o primeiro elemento acaba em vogal acentuada graficamente: andá-açu, amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu, etc.

Não é o caso de Bataguaçu, em que o primeiro elemento é paroxítono.

 

b) Maracaju.

Viu-se, acima, que as oxítonas terminadas em u (não Viu-se, acima, que as oxítonas terminadas em u (não precedido de vogal) não são acentuadas. Logo, a palavra Maracaju não pode ser assinalada com acento agudo. Não procede o argumento de que se escrevia com acento. Aplica-se ao caso a explanação anterior.

 

c) Aparecida do Tabuado.

Segundo consta, o porto Presidente Vargas, no rio Paraná, nas proximidades da junção dos rios Paranaíba e Grande, nas alturas da ilha Grande, era denominado, antigamente, Taboado.

Qual a origem da forma Tabuado? De tábua (prancha de madeira)? De tabua (grande erva que vive nas águas paradas e rasas)? De taboa (variante popular de tabua, registrada pela maioria dos dicionários)?

Corre, entre os aparecidenses, a explicação de que é Taboado porque há (ou havia), na região, muita taboa.

Seja qual for a origem, a forma correta é Tabuado, pois, tanto de tábua quanto de tabua, ter-se-á Tabuado. O emprego da palavra taboa, no nível popular (falado e não escrito), não justifica a grafia Taboado. A ortografia deve basear-se sempre nas raízes cultas da língua.

Se não bastasse, encontra-se Aparecida do Tabuado no Novo Dicionário (de Aurélio B. de H. Ferreira), na Grande Enciclopédia Delta Larousse, na Enciclopédia Brasileira Mérito. O único a destocar é Caldas Aulete que registra Aparecida do Taboado.

A Lei n. 130, de 26.9.48, que criou o município, registra Aparecida do Taboado, grafia reproduzida também pela Lei n. 696, de 12.12.53 (Diário Oficial de MT, 15.12.53), que modificou a anterior. Não é demais, contudo, repetir, que os topônimos devem ser escritos de acordo com as normas dos nomes comuns.

À guisa de comparação, registre-se que é Tabuão e não tônico e segunda vogal do hiato, como em jataí, Ivaí, Ibicuí etc. Portanto, Amambaí. Tanto que o rio (sul-mato-grossense) é Amambaí, o bairro de Campo Grande é Amambaí. Mais: o Novo Dicionário (de Aurélio B. de H. Ferreira) traz Amambaí.

É lamentável ter que aceitar a teimosia dos amambai-enses (a-mam-bai-en-ses e não a-mam-ba-i-en-ses) que, pelo uso, conseguiram, pelo menos em Mato Grosso do Sul, fixar (para o município e cidade) a forma Amambai.

 

f) Guaçu e Taquaruçu.

São as formas corretas, pelas mesmas explicações dadas para o nome Bataguaçu.

 

g) São Gabriel do Oeste.

Esta a forma correta, que figura na lei que criou o município (Lei n. 74, de 12.5.80). A grafia d’Oeste remonta à criação do distrito.

 

h) Quebra-Coco.

Este topônimo se escreve com hífen e sem acento circunflexo diferencial em coco.

 

i) Itaum.

Itaum se escreve sem h, que, pelo Vocabulário Ortográfico, é empregado no interior das palavras simples somente nos dígrafos ch, lh e nh.

 

5. Conclusão.

Do exposto, conclui-se que devem ser empregadas as formas Bataguaçu, Maracaju, Aparecida do Tabuado, Bandeirantes, Amambai (só para a cidade e município), Guaçu, Taquaruçu, São Gabriel do Oeste, Quebra-Coco e Itaum.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo III

Do artigo em Mato Grosso do Sul

 

É frequente a consulta sobre a aplicação do artigo antes do nome geográfico Mato Grosso do Sul. E com razão.

É que o emprego do artigo antes de topônimo tem gerado dificuldades, porque o uso corrente subverteu, e continua subvertendo, o ordenamento gramatical.

É esta a regra clássica da colocação do artigo neste caso: emprega-se artigo somente com topônimo que se originou de nome comum. Exemplos: a Bahia, o Porto, o Rio de Janeiro. Isto, pela necessidade de se determinar um ser dentro da espécie, como em o Porto, quando se individualiza um dentre todos os portos.

Os topônimos que já nasceram próprios dispensam, pela norma tradicional, o artigo, porquanto já precisam um ser dentro da espécie. Exemplos: Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo. Camões escreveu: As terras viciosas de África e de Ásia.

O uso corrente, todavia, alterou sensivelmente este preceito. Exemplos: a África, a Ásia, a Suécia, o Recife ou Recife, Minas Gerais, o Tocantins (estado) e outros.

Pela norma clássica, Mato Grosso deveria ter artigo, pois o substantivo comum mato passou a próprio (Mato) e, por consequência, também Mato Grosso do Sul deveria estar precedido de artigo.

* * *

Em 1748 foi criada a capitania de Mato Grosso e seu primeiro governador, capitão-general Antônio Rolim de Moura Tavares, fundou, quatro anos depois, a cidade de Vila Bella da Santissima Trindade de Matto-Grosso, que passou a capital. Institucionalizava-se, a partir desses eventos, o nome próprio Mato Grosso.

Já nos primeiros expedientes da Corte ao governador da capitania, prevalecia a forma Mato Grosso (sem artigo), embora se empregassem, por vezes num mesmo documento, as duas: com e sem artigo, como numa provisão do Conselho Ultramarino, de 1748, enviada ao governador da capitania de Matto-Grosso, estabelecendo os confins desse novo governo do Matto-Grosso (Em A fronteira “Matto-Grosso – Goiaz”. Revista do Instituto Historico de Matto-Grosso. Separata).

Na segunda metade do século 18 tornava-se predominante a forma Mato Grosso, que, a partir do século 19, se fixou definitivamente. Para ilustrar, alguns exemplos.

1° – Em 1829, Joaquim Francisco Lopes começava a abrir uma picada por determinação do Prezidente da Provincia de Matto Grosso.

2° – Em 1837, José Antônio Pimenta Bueno, presidente da província, em carta ao ministro do império, escrevia: Seria mui prejudicial aos interesses de Matto-Grosso. (....) Tem Matto-Grosso o primeiro dos seus interesses.(...) Mas as forças industriaes de Matto-Grosso (Em A fronteira...).

3° – Aos dezoito dias de fevereiro do dito anno (1860) nesta Villa de Sant’Anna do Paranahyba Provincia de Matto Grosso (livro n. 2, 1° ofício daquela cidade).

4° – Ata da Eleição de onze membros a Assembleia Legislativa Provincial, que da o 2° circulo desta Provincia de Matto Grosso (de 1881, cartório de Miranda).

5° – Art. I. A antiga provincia de Matto-Grosso, adoptando como forma de seu governo (Constituição do Estado, de 1891. Album Graphico do Estado de Matto-Grosso, Corumbá, 1914).

Vale lembrar que Taunay usou sempre a forma Mato Grosso.

Os gramáticos anotam, como óbvio, que Mato Grosso dispensa artigo. Sayd Ali escrevia, em 1921: Perdeu, pelo contrário, o termo apelativo toda a sua influência em Mato Grosso, Alagoas e Minas Gerais. (Gramática Histórica da Língua Portuguêsa, 7. ed., Melhoramentos, São Paulo, 1971, p. 127).

Sousa da Silveira registrava em 1923: Mas sem artigo: Portugal (....), Sergipe, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso, Goiás. (Lições de Português, 9. ed., Presença, Rio de Janeiro, 1983, p. 191).

Evanildo Bachara adverte: Entre nós, dispensam artigo os nomes dos seguintes estados: Alagoas, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco e Sergipe. (Moderna Gramática Portuguêsa, 16. ed., CEN, São Paulo, 1970, p. 304).

Celso Cunha aponta: Não se usam, porém, com artigo os seguintes: Alagoas, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais (...). (Gramática do Português Contemporâneo, 5. ed., Belo Horizonte, 1975, p. 159).

Do exposto, conclui-se que o topônimo Mato Grosso é usado sem artigo.

Cabe analisar agora se o acréscimo do partitivo do Sul implica na colocação do artigo.

Diz-se: o Vietnã, Santa Catarina, São Paulo, o Rio Grande do Norte, o Vietnã do Sul. Pergunta-se: Se Santa Catarina e São Paulo fossem divididos, poderiam surgir os nomes a Santa Catarina do Norte, por exemplo, ou o São Paulo do Sul? Evidente que não.

Conclui-se, sem qualquer esforço, que o acréscimo da expressão do sul não introduz o artigo na nova forma. Se Mato Grosso é sem artigo, também Mato Grosso do Sul é sem artigo.

Napoleão M. de Almeida arremata: Sempre se disse Mato Grosso e não será o acréscimo do do Sul que irá obrigar-nos o artigo antes do nome do novo estado brasileiro. (Questões Vernáculas. O Estado de S. Paulo, 17-4-88).

É oportuno acrescentar que a forma Mato Grosso do Sul (sem artigo) é usada por todos os escritores sul-mato-grossenses de reconhecida competência, como J. Barbosa Rodrigues, Maria da Glória Sá Rosa, José Couto Vieira Pontes, Elpídio Reis, Raquel Naveira, Acyr Vaz Guimarães, Paulo Coelho Machado, Hélio Serejo, entre outros.

O consulente desavisado poderia argumentar, em sentido contrário, que Aurélio B. de H. Ferreira, em seu Novo Dicionário... (2. ed., Nova Fronteira, Rio de Janeiro, s.d.), registra, no verbete sul-mato-grossense, “relativo ao Mato Grosso do Sul” (com artigo). Ocorre que o dicionarista se contradiz, quando em mato-grossense-do-sul, escreve “relativo a MS” e, em cadiueu, lança “de MS’, sem artigo.

Como se contradiz com o emprego do artigo com a expressão Mato Grosso. No verbete pantanal informa: “Zona geofísica do MT” (com artigo); em mato-grossense aparece “a Mato Grosso antigo” e “de Mato Grosso”. Como acontece em caiuá, tereno e bororo, apresentando “de MT”; e em guaicuru, com “em MT”. O renomado lexicógrafo acaba por trair-se, fazendo prevalecer a forma Mato Grosso (sem artigo).

Cumpre consignar, por fim, que a Lei Complementar n. 31, de 11 de outubro de 1977, criou o Estado de Mato Grosso do Sul.

Conclusão.

A forma correta é Mato Grosso do Sul, sem artigo.

Dir-se-á, portanto: em Mato Grosso do Sul, de Mato Grosso do Sul, para Mato Grosso do Sul, entre outras construções.

Capítulo IV

Do gentílico dos municípios

 

Parte dos gentílicos dos municípios sul-mato-grossenses já está dicionarizada e consagrada pelo uso. Parte, no entanto, principalmente dos municípios criados há pouco tempo, não se firmou ainda ou apresenta formas diferentes.

Como se viu em Do gentílico de Mato Grosso do Sul (p. 5 e ss.), o sufixo empregado para formar gentílicos modernos é -ense (e raramente -ano), com as devidas adequações fonéticas.

Especial atenção exige a formação dos gentílicos derivados de palavras terminadas em:

1) (= an), que perdem a nasalidade e recebem -ense precedido de n. Exemplos: Ponta Porã – ponta-poranense; Tupanciretã – tupanciretanense;

2) -ão, que, historicamente, ou recebem -nense no lugar do -ão (Viamão – viamonense) ou simplesmente têm o -ão substituído por -ense (Maranhão – maranhense. Cubatão – cubatense). Modernamente, se o -ão for sufixo aumentativo, recebem -ense (Fundão – fundãoense, Matão – matãoense, Jaboatão – jaboatãoense, Riachão – riachãoense);

3) em -em, que recebem -ense, transformando-se o -m em n (Jardim – jardinense, Belém – belenense).

Estas normas, embora de acordo com a índole da língua e bastantes gerais, não são absolutas. É possível o surgimento, embora raro, de outras formas, calcadas na analogia, que o uso pode consagrar.

Cumpre observar que:

a) há casos em que o mesmo gentílico pode referir-se a cidades de estados diferentes;

b) os topônimos com mais de um radical (com autonomia fonética) formam locução, portanto, sem hífen, excetuando-se aqueles que possuem formas verbais: Bela Vista, Rio Brilhante, Santa Rita do Passa-Quatro, Quebra-Coco, Não-me-Toques;

c) os gentílicos derivados dos topônimos com mais de um radical formam adjetivos compostos, portanto, com hífen: bela-vistense, não-me-toquense; e, quando entram na formação de substantivos próprios, escrevem-se com todas as iniciais maiúsculas. Por exemplo: Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e não Academia Sul-mato-grossense de Letras.

 

Município e gentílico.

1. Água Clara – água-clarense.

2. Alcinópolis – alcinopolense.

3. Amambai – amambaiense.

4. Anastácio – anastaciense.

5. Anaurilândia – anaurilandense.

6. Angélica – angelicense.

7. Antônio João – antônio-joanense.

8. Aparecida do Tabuado – aparecidense.

9. Aquidauana – aquidauanense.

10. Aral Moreira – aral-moreirense.

11. Bandeirantes – bandeirantense.

12. Bataguaçu – bataguaçuense.

13. Bataiporã – bataiporanense.

14. Bela Vista – bela-vistense.

15. Bodoquena – bodoquenense.

16. Bonito – bonitense.

17. Brasilândia – brasilandense.

18. Caarapó – caarapoense.

19. Camapuã – camapuanense.

20. Campo Grande – campo-grandense.

21. Caracol – caracolense.

22. Cassilândia – cassilandense.

23. Chapadão do Sul – chapadãoense. (Ou chapadense, se consagrado pelo uso).

24. Corguinho – corguinhense.

25. Coronel Sapucaia – coronel-sapucaiense.

26. Corumbá – corumbaense.

27. Costa Rica – costa-riquense.

28. Coxim – coxinense.

29. Deodápolis – deodapolense.

30. Dois Irmãos do Buriti – buritiense.

31. Douradina – douradinense.

32. Dourados – douradense.

33. Eldorado – eldoradense.

34. Fátima do Sul – fatimense. (V. p. 12, c).

35. Figueirão – figueirãoense

36. Glória de Dourados – glória-douradense.

37. Guia Lopes da Laguna – lagunense.

38. Iguatemi – iguatemiense.

39. Inocência – inocenciense.

40. Itaporã – itaporanense.

41. Itaquiraí – itaquiraiense.

42. Ivinhema – ivinhemense.

43. Japorã – japoranense.

44. Jaraguari – jaraguariense.

45. Jardim – jardinense.

46. Jateí – jateiense.

47. Juti – jutiense.

48. Ladário – ladarense.

49. Laguna Carapã – laguna-carapanense.

50. Maracaju – maracajuense. (A forma maracajuano é empregada, por alguns escritores, em relação à serra de Maracaju).

51. Miranda – mirandense.

52. Mundo Novo – mundo-novense.

53. Naviraí – naviraiense.

54. Nioaque – nioaquense.

55. Nova Alvorada do Sul – nova-alvoradense.

56. Nova Andradina – nova-andradinense.

57. Novo Horizonte do Sul – novo-horizontense.

58. Paraíso das Águas – paraisense

59. Paranaíba – paranaibense.

60. Paranhos – paranhense.

61. Pedro Gomes – pedro-gomense.

62. Ponta Porã – ponta-poranense.

63. Porto Murtinho – porto-murtinhense (ou murtinhense).

64. Ribas do Rio Pardo – rio-pardense.

65. Rio Brilhante – rio-brilhantense.

66. Rio Negro – rio-negrense.

67. Rio Verde de Mato Grosso – rio-verdense.

68. Rochedo – rochedense.

69. Santa Rita do Pardo – rio-pardense.

70. São Gabriel do Oeste – são-gabrielense.

71. Selvíria – selvirense.

72. Sete Quedas – sete-quedense.

73. Sidrolândia – sidrolandense.

74. Sonora – sonorense.

75. Tacuru – tacuruense.

76. Taquaruçu – taquaruçuense.

77. Terenos – terenense.

78. Três Lagoas – três-lagoense.

79. Vicentina – vicentinense.

 

* * * * *

Autor: Hildebrando Campestrini

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